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Cuiabá (MT), 16 de setembro de 2019 - 06:52

Notícias

28/05/2019 07:35

Incompetência na gestão do HUJM amplia adoecimento dos trabalhadores em 42%

Os trabalhadores técnico-administrativos do Hospital Universitário Júlio Muller estão adoecendo. Em apenas um mês da implantação da jornada de 40 horas semanais, a taxa de afastamento para tratamento de saúde aumentou em 42%, sendo que neste mês de maio, os levantamentos preliminares mostram que os números serão ainda maiores.  São 50 trabalhadores, em sua maioria técnicos de enfermagem, técnicos de laboratório, enfermeiros, entre outros, que estão impossibilitados de trabalhar e atender a população.

 

Conforme resoluções internacionais, em especial da Organização Mundial da Saúde, o regime de trabalho em hospitais deve ser de no máximo 30 horas semanais (devido a complexidade, riscos de contaminação da saúde do trabalhador, estresse, continuidade nos finais de semana, feriados, e outros agravantes). A escala de 30 horas funcionava no HUJM há mais de 15 anos. Porém, a jornada de 40 horas semanais foi implantada desde 01 de abril de 2019 pela Portaria nº 115/2019 da direção da Ebserh (empresa que administra o HUJM sob tutela da Reitoria da UFMT). Ela atinge especificamente os trabalhadores estatutários, que são vinculados à UFMT, cerca de 300 profissionais.  

 

“Esta foi uma atitude inconsequente e imoral por parte da diretoria do HUJM. Eles mentiram dizendo que havia uma determinação do Ministério Público para isso, porém, na audiência junto ao MPF, ficou claro que não havia o menor embasamento para a decisão. Fizemos um acordo mediado pelo Ministério Público e a Reitoria da UFMT para que, comprovado que a escala de 30 horas era suficiente para atender o hospital, ela seria imediatamente implantada. Fizemos isso, e até agora a gestão da Ebserh não voltou atrás com sua decisão. Estão esperando uma tragédia acontecer”, destacou o coordenador geral do Sintuf-MT, Fábio Ramires.

 

Ele explicou que os afastamentos dos trabalhadores são em sua grande maioria por doenças ortopédicas e relacionados a saúde mental. “Trabalhar em hospital é muito complicado. Trabalhar em hospital público é ainda mais difícil, porque você não têm estrutura adequada, falta material básico para o atendimento, falta médicos, existem situações onde o paciente fica irritado e desconta no profissional que está lhe atendendo. Este é o dia a dia, o noite a noite, e feriado a feriado que os trabalhadores do HUJM enfrentam, isso por salários congelados e defasados”.

 

Adicional de Plantão Hospital

Um dos principais argumentos da Ebserh para mudança no regime de trabalho de 30 horas para 40 horas é a redução do Adicional de Plantão Hospitalar (APH). “Este adicional é utilizado pela gestão para fechar as escalas. Eles disseram que com 40 horas ia diminuir essa espécie de hora extra. Mas foi justamente o contrário, aumentou, por um motivo simples, a jornada de 40 horas precisa de mais tempo de repouso do que a de 30 horas, e estes repousos têm que ser cobertos para não deixar o paciente desassistido. É uma prova de incompetência que está lesando os cofres públicos”.

 

Omissão

A Reitoria da UFMT está sendo omissa e conivente com um ato de improbidade. A denúncia têm sido feita pelos trabalhadores do HUJM. “Quando a UFMT aceitou terceirizar para Ebserh a gestão do hospital, fez o termo de cessão coletiva dos trabalhadores em regime de 30 horas semanais. Esta cessão coletiva é ilegal, porém, não é o caso em questão. Os trabalhadores estão cedidos à Ebserh, mas o vínculo empregatício continua sendo com a UFMT. Assim, a Ebserh não têm poderes para mudar esta jornada de trabalho de 30 para 40 horas, a competência é da UFMT. Ocorre que o silêncio, a falta de uma ação mais enérgica, mostra que eles compactuam com a irregularidade”, denunciou Ramires.

 

Acordo Espúrio

Representando o comando de greve, o dirigente sindical revelou que a gestão da Ebserh insiste na tentativa de acordos duvidosos. Em conversas informais, já que a gestão não posiciona-se por meio de documentos, apenas diz seus posicionamentos em reuniões, a empresa propôs uma jornada de 36 horas semanais, já que eles comprovaram que a jornada de 40 horas é impraticável no hospital.  “As escalas que eles montaram colocam os trabalhadores trabalhando 44 horas, 38 horas, é uma bagunça. Temos companheiros que fizeram todos os seus plantões e ficaram devendo horas para o mês seguinte, é praticamente um regime de escravidão. Agora proporam informalmente 36 horas, o que também é inaceitável, já provamos junto ao Ministério Público que a jornada sempre foi, é legal, e deve continuar sendo de 30 horas”.

 

Os dados de afastamento foram fornecidos pela UFMT mediante ofício do Sintuf-MT.

 

Matéria Daniel Dino

Assessoria Sintuf-MT


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