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Cuiabá (MT), 18 de setembro de 2020 - 07:06

Notícias

01/05/2020 07:21

CARTA ABERTA AOS TRABALHADORES MATO-GROSSENSES EM DEFESA DA VIDA EM TEMPOS DE PANDEMIA 

A vida em primeiro lugar! Esse é o mote que deve guiar aqueles que nada têm além da sua força de trabalho para sobreviver. Enquanto patrões e governos encastelados obrigam trabalhadores à trabalharem em meio a uma pandemia mundial que já matou mais de 217 mil pessoas em todo o mundo; mais de 5 mil pessoas no Brasil, já tendo ultrapassado os números chineses. 
Por trás do COVID 19, está outro marcador que o Capital tenta esconder, a crise econômica. E mesmo em situação de pandemia mundial mantém funcionando fábricas, bancos, e serviços públicos não essenciais, sem falar dos trabalhadores terceirizados ou contratados presentes em todas essas esferas de trabalho.  
É sobre retirar direitos e continuar produzindo a discussão presente à realidade trabalhadora que nada têm a ver com a crise que os capitalistas produziram e que os mesmos impedem que trabalhadores protejam suas vidas. É o genocídio do Capital, ora piorando às condições de vida, ora expondo ao risco da efetiva morte. 
No Brasil, o governo negligencia a saúde dos seus trabalhadores com jargões “resfriadinhos” ou “gripezinhas”, enquanto a Europa enterra suas centenas de mortes por dia e as estatísticas de mortos e infectados crescem de maneira significativa em escala nacional, na mesma proporção dos países europeus. Para além disso, propõe uma medida provisória que pretende diminuir salários e beneficiar banqueiros com 1,2 trilhões de reais. 
É chegado o momento de nós trabalhadores, não só resguardarmos a nossa saúde, mas de lutarmos por nenhum direito à menos, recuperando direitos que este e outros governos já retiraram. A saúde pública segue sucateada e é a única capaz de combater e atender a COVID-19, a educação pública brasileira sofreu duros golpes nos últimos anos e também é a única que pode desenvolver pesquisa e extensão no combate de vírus e outras doenças. 
A flexibilização das leis trabalhistas, onde impôs vários trabalhadores em contratos precários de trabalho e piorou de maneira significativa não só salários, como jornadas e garantias. A reforma da previdência que impossibilita a grande maioria dos trabalhadores brasileiros de se aposentarem e também a drástica diminuição de políticas assistenciais num país que possuí 11,6% de sua população trabalhadora desempregada.  
A sanha por dinheiro segue mesmo sabendo que custará a vida de milhares de trabalhadores ! Não bastasse este conjunto de ataques que temos amargurado, agora, diante de uma pandemia que paralisou o mundo em quarentena para a preservação das vidas dos trabalhadores, mais uma vez nossos patrões e governantes demonstram descaso com nossas vidas nos impondo expor nossas vidas em risco para manter seus negócios e lucros, numa política genocida criticada em todo o mundo.  
É neste cenário caótico de morte e miséria que os patrões e os governos desenham para nós. Em defesa do direito à vida, os sindicatos que assinam esta carta vem exigir: 
– direito de quarentena a todos, até que a pandemia seja controlada;
– transferência de renda mínima aos trabalhadores informais enquanto a pandemia estiver fora de controle;
– suspensão da cobrança de aluguéis e financiamentos bancários pelo período da quarentena;
– suspensão da cobrança de água e luz no período da quarentena;
– cadastramento da população de rua por meio do CREAS, bem como oferta de meios de higienização pessoal;
– dispor de prédios públicos em desuso, bem como imóveis privados com dívidas junto ao poder público para a moradia da população de rua;
– Acompanhamento da situação da pandemia por meio da testagem em massa da população (viabilizada em parceria com institutos federais de ensino, universidades públicas e indústria farmacêutica nacional), bem como informações precisas e transparentes;
– Investimento em equipes de saúde da família para testagens e acompanhamento das condições de saúde das comunidades, sobretudo as periféricas, indígenas e quilombolas;
– Transporte exclusivo para profissionais da saúde, farmácias, supermercados, postos de combustível, bem como auxílio moradia (para que preservem suas famílias);
– Oferta do número suficiente de respiradores, fomentando pesquisas para seu desenvolvimento em universidades públicas e institutos federais;
– renegociação de dívidas de micro e pequenas empresas e agricultura familiar;
– ampliação de leitos do via estatização dos serviços de saúde e fila única gerida pelo SUS;
– oferta dos adequados equipamentos de segurança individual aos trabalhadores que enfrentam diretamente o coronavírus;
– nomeação  imediata de todos os trabalhadores aprovados em concursos públicos do SUS, SUAS e INSS e efetivação dos terceirizados e contratados;
– proibição de demissões e redução de salários;
– Pagamento dos servidores públicos em parcela única até o dia 30 de cada mês;
– Garantia de salário de servidores públicos contratados;
– Suspensão do aumento da alíquota previdenciária;
– Apresentar e implementar imediatamente um plano de custeio da Previdência, com o objetivo de equacionar o déficit atuarial do Regime Próprio de previdência social estadual;
– Suspensão da tramitação da PEC da reforma da previdência estadual e de todo e qualquer município do Estado de Mato grosso;
– Suspensão de cobrança de empréstimos consignados;
– taxação de grandes fortunas, do agronegócio e dos agrotóxicos;
– suspensão definitiva das PECS de teto de gastos;
– Não pagamento da dívida pública Estadual e Federal; 
– Revogação das reformas da previdência e trabalhista que deixam os trabalhadores totalmente desprotegidos.
 

Assinam esta carta: 

Associação das/os Amigas/os do Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes (AAMOBEP)
Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat)
Associação dos docentes da Unemat (Adunemat)
Andes – Regional Pantanal
Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica (Sinasefe)
Sindicato dos Trabalhadores Técnicos Administrativos em Educação da UFMT (Sintuf)
Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT)
Diretório Central dos Estudantes (DCE)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Comissão Pastoral do Migrante (CPM)
Sindicato dos Servidores Públicos de Saúde de Mato Grosso (SISMA-MT)
Fórum de Direitos Humanos e da Terra
Movimento dos Trabalhadores sem Terra
Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso – FMN/MT
Fórum Permanente de Saúde de MT
Fórum de População em Situação de Rua de Cuiabá – Fórum Pop Rua Cuiabá
Consulta Popular
Conselho Regional de Enfermagem (Coren)
Conselho Regional de Psicologia (CRP) 


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